quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

As Brigadas Fantasma | Resenha


          Depois da divertida leitura de A Guerra do Velho, fica impossível resistir à sua sequência "As Brigadas Fantasma". John Scalzi está mais sombrio agora, pois embora mantenha o foco nos personagens, embrenha-se mais na política de uma raça belicosa chamada humanidade. Brigada Fantasma é o apelido dado às Forças Especiais da União Colonial (UC), que apareceram no primeiro livro e agora são o foco da narrativa. Novamente a tradução está impecável e é bom deixar claro que dá para ler esse livro sem conhecer seu antecessor, mas tem um sabor especial para quem lê na sequência, pois vemos novamente a personagem Jane Sagan, das Forças Especiais da UC.
          A trama tem surpresas e reviravoltas, mantendo o leitor preso enquanto apresenta a descoberta de um complô inédito de três espécies e um traidor para erradicar de vez a humanidade do universo. As Forças Coloniais de Defesa (FCD) decidem resolver esse problema com missões suicidas de alto risco em vez de utilizar ataques frontais pesados. Para essas ações cirúrgicas são então empregadas pequenas equipes de soldados super qualificados e treinados, bem como melhorados geneticamente ao extremo: As Forças Especiais.
          O autor consegue passar muito do companheirismo e do espírito de cumprimento do dever dessas equipes especiais desde seu nascimento (fabricação?) até o ponto de escolha entre suas vidas e a missão. Perdas de amigos colorem a narrativa, que é mais focada no combate, lembrando um pouco o fantástico "Jogo do Exterminador" (Ender's Game). Mas temos também família, amor e livre arbítrio como conceitos que temperam bem a trama, impedindo que confundamos os personagens com máquinas de matar. Nesse quesito, o livro nos coloca mais próximos das outras espécies, abrindo questões interessantes não só de política externa e diplomacia, mas também sobre o que nos faz humanos e que tipo de humanidade encontramos no radical recurso da guerra. A crítica à guerra e, principalmente, ao quanto devemos utilizar de outros meios antes de a adotarmos como solução está mais clara neste volume.
          A velocidade e fluidez do texto salpicada com algumas explicações de conceitos científicos são boas, mantendo a alta qualidade da narrativa e agradando tanto os fãs de Ficção Científica quanto de aventura. Só senti falta do bom humos do protagonista do primeiro livro. E até essa falta de humos das Forças Especiais faz parte da trama! Um livro muito bom. Leva 4,5 e já aguardo a tradução do próximo volume deste universo.


Um comentário:

  1. Bom eu li primeiro, hehe! Mas, o que eu mais gostei em Brigadas Fantasmas é uma coisa que poucos entendem, até alguns ditos profissionais da guerra, como alguns militares brasileiros gostam de dizer, e isso se chama cumprimento do dever. Os soldados das Forças especias da colonia são corpos clonados de voluntários que morreram antes de ter a mente transplantada que já nascem com um dever na vida: defender a humanidade,mesmo não sabendo nada dela e com ela tendo medo dele. Eu vi nisso o dilema do soldado que defende uma população nas horas de crise mesmo não tendo a gratidão dela. Scalzi mostra que tudo tem uma alma, mesmo que sua vida seja iniciada pelo Brain pal, ele resgata um entendimento comprovado no livro homens ou fogo de soldados combatem não pelo ideal , mas principalmente motivados pela lealdade aos seus grupos de combate. Jared Dirac foi mais humano que eu , ao escolher salvar a humanidade,me orgulhei dele, de Jane Sagan ,do porra louca do soldado que amava destruir as coisas e me fez pesquisar o que é uma Navalha de Occam e até do cientista. Em fim fico impressionado em como autores norte americanos retratam tão bem soldados, alguns povos são agradecidos.

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